Você sabia que a Elsevier andou lucrando mais em vendas online que a Amazon e o Ebay? Pois é. A Reed Elsevier se tornou uma gigante no mercado de publicações acadêmicas, e está praticando preços e esquemas de venda abusivos. E não é só ela. Várias empresas da área fazem a mesma coisa (a Springer, por exemplo). Preços por página de periódicos dessas empresas variam entre 4 e 8 vezes o preço de periódicos similares dirigidos por organizações sem fins lucrativos (em geral departamentos de universidades). Essa conta foi feita meio no olhômetro, por mim. Considero o preço por página como uma boa medida pois olhando os custos de um ano do Pacific Journal of Mathematics vi que os maiores gastos eram com salários, impressão e postagem. Vocês podem olhar os dados e tirar as conclusões por vocês mesmos, mais referências estão logo abaixo.
Várias universidades americanas (Universidade da California e Cornell entre elas) já estão brigando com a Elsevier por preços mais baixos. Um bom resumo da situação foi feito por John Baez, professor da Universidade da California em Riverside, no texto What We Can do About Science Journals.Há bastante material nesse link (e em outros links indicados lá) ou em sites como journalprices.com, ou a página sobre esse assunto de Ted Bergstrom.
O que podemos fazer? Bem, isso vai da cabeça de cada um, mas em geral se fala em “boicotar” os preriódicos caros (não assinando, ou pelo menos não trabalhando para eles), e apoiar os periódicos não-comerciais, especialmente os de livre acesso (mais sobre política de acesso depois).
Outro ponto importante é você se precaver checando direitinho o contrato de copyright dessas empresas. Isso pode ser muito chato ou complicado, e por isso foi criado o Scholar’s Copyright Addendum Engine. É um “gerador de anexo de contrato de copyright”. Você preenche um formulário dizendo que liberdades gostaria de preservar no seu artigo (publicá-lo na sua página ou no arXiv, por exemplo) e cria o anexo. Fácil, rápido e prático.
E ainda nem falamos do problema do acesso a esses periódicos. Periódicos de livre acesso são desejáveis por vários motivos. Por exemplo, trabalhos publicados em periódicos de livre acesso podem ser indexados e buscados por mecanismos de busca como o Google e acessados por qualquer pessoa. O autor de um artigo não ganha nada com a venda dos periódicos, até onde eu sei, e quanto mais pessoas tiverem acesso ao artigo, melhor para o autor. Por fim gostaria de saber quem é que paga os gastos de pesquisa e os salários dos pesquisadores: são cidadãos por meio dos seus impostos (financiamento governamental) e empresas das mais variadas ou são as empresas do ramo editorial? Bem, todos sabemos que os fundos vêm em sua maioria de governos ou de empresas (que não são da área editorial). Por que então o acesso tem que ser restrito?
Procure se informar sobre as iniciativas na sua área. Vários bons periódicos abertos estão aparecendo, e existem iniciativas para apoiar esse fenômeno: Science Commons e Public Library of Science são exemplos (a PLoS parece ter se originado nas áreas de biologia e medicina). Em Economia, para mim o grande destaque vai para o Theoretical Economics, que tem publicado artigos de primeira linha, de livre acesso, e vem vendendo as cópias impressas a preço de custo: o volume anual com desconto para países não ricos está a 45 dólares… Compare com os 34 dólares por artigo do Journal of Economic Theory, da Elsevier (fonte: journalprices.com). Outro dado ilustrativo: se eu quiser baixar um artigo do Science Direct (serviço que oferece os periódicos da Elsevier) da minha casa, ele cobram 30 dólares por artigo. Compare com a Econometrica: eu que sou estudante acesso o volume anual inteiro da Econometrica online por 10 dólares, entre outros benefícios.
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Edit (3 de Julho): Acabei de ler um bom artigo sobre assunto. O artigo aponta como o movimento de de “livre acesso” (open access) à produção acadêmica tem se inspirado no movimento de software livre. Bons links, exemplos e comparações.